segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sul Livre 20 anos

Presidente do Movimento
Jornalista Celso Deucher

O Movimento o Sul é o Meu País está prestes a completar 20 anos de existência pacífica e legal. Nos últimos dias, dois dos jornais de maior circulação da Região Sul publicaram matéria a respeito do fato. Confira nos link's abaixo o que estamparam A Gazeta do Povo e O Correio do Povo, respectivamente:

http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1224998&tit=Apos-20-anos-movimento-O-Sul-e-o-Meu-Pais-volta-a-se-organizar

http://www.ocorreiodopovo.com.br/politica/movimento-reascende-debate-polemico-sobre-separacao-do-sul-do-pais-3431372.html

domingo, 19 de fevereiro de 2012

De outros carnavais

Dias de carnaval. Afloram lembranças de meus anos de infância e adolescência, quando ao lado de amigos (Fernandinho Loss, Beto Moliani, Fábio Cebulski, Maurício Coradassi, Renato Crisóstimo, Peter Ferter, Tari Darwich, Marcos Karasinski entre outros) saíamos de um baile até outro, entre o Guarapuava Esporte Clube e o Guíara Country Club, brincar, se divertir, participar. Tudo de forma intensa e ao mesmo tempo meio inocente. Vivíamos dias e noites de fantasia, e pouca novidade, visto que todo ano era mais ou menos a mesma coisa, ou exatamente a mesma coisa. Aqui na nossa cidade, os bailes eram peculiares, com os foliões rompendo em algo parecido com uma marcha, uns de forma solitária, alguns casais e outros tantos em coluna de várias pessoas, em movimentos repetitivos em derredor da sala. Me faz lembrar uma melodia gauchesca a respeito do carnaval, interpretada por Davi Menezes Júnior, que dizia "troteando em volta da sala como burro de olaria." Hoje, curiosamente, os dois Clubes não realizaram bailes de carnaval. Estão fechados ou interditados, não sei ao certo. Certo, é que não há carnaval. Nem nos clubes, muito menos nas ruas. Foi-se o tempo em que heróis da resistência tentaram manter ativas Escolas de Samba na Terra do Fogo Aceso. Para mim, ficam apenas lembranças de duas ou três décadas atrás, pois de lá para cá, carnaval para mim é sinônimo de descanso na beira mar, ou de longas tardes preguiçosas no sofá de casa, desfrutando a leitura de um bom livro, revendo alguns dos meus filmes favoritos ou reencontrando velhos amigos. Aqueles que conheço de outros carnavais.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Balanço Geral

Encerrado o ano, é natural refazer os planos, renovar as velhas e banais promessas, alterar objetivos e etc. Mas também é importante rever os feitos, analisar os fatos, tirar conclusões, mesmo que não definitivas, ou fechar pra balanço. No meu caso, passei o ano planejando pouco e executando muito. Estive com pessoas que me fazem bem, tolerei outras que não me fazem tão bem. Conheci, esqueci, errei, sorri, magoei e perdoei. Gosto de falar, mas muito mais ouvi do que falei. Viajei, e muito. Me comuniquei, interagi, provoquei e reagi. Fiz comércio, negócio e escambo também. Ganhei e perdi. Apostei, e ainda aguardo o resultado da aposta. Convivi. Me enalteci com cada conquista da minha filha e reaprendi o sentido de superação com as vitórias dela. Me espelhei na fibra inabalável da minha companheira. Intimamente, vibrei e me orgulhei da perseverança e foco do meu irmão. Desfrutei cada instante recebendo o melhor de cada familiar, de cada amigo. Externei meu sentimento chorando a morte da minha vozinha, a Dona Olga, para depois calar e interiorizar minha dor. 
2011 passou. 
Tudo passa. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Morre José Cláudio Machado

Hoje, 12 de dezembro de 2011, cessou a voz campesina de José Cláudio Machado, um dos maiores intérpretes da autêntica música campeira gauchesca. Zé Cláudio, como era conhecido, foi vencedor da segunda edição da Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 1972, cantando "Pedro Guará", e depois não parou mais de ser premiado e reconhecido nos mais importantes festivais nativistas do sul do Brasil. Dentre os autores que mereceram sua interpretação, Mauro Moraes talvez tenha sido o mais destacado. Eu particularmente aponto o "velho" Zé Cláudio como o maior, entre todos os intérpretes de linha campeira, como foi Cenair Maicá na linha missioneira, como são César Oliveira e Rogério Mello na linha fronteiriça. Pedro Guará, Campesino, Pêlos, Poncho Molhado, Fulanos e Sicranos, Milonga Abaixo de Mau Tempo e tantas outras... Que ao menos o exemplo de autenticidade e respeito pela autóctone estampa do Zé Cláudio, possa servir de sinuelo para todos nós, que pretendemos pertencer ao legado desta estirpe, quase extinta do meio tradicionalista.


REFAZENDO OS PLANOS
(Mauro Moraes)


Quando a sina lá de fora, 
Campo afora, perde seu rumo,
A dor inventa um luzeiro
E acende seu próprio mundo,
Um potro manso preguiça
E uma mala lanhando a garupa,
O silêncio tirando um costado
E o vento que nele se amunta...

Sou de casa meu compadre e,
Além do mais, sou cantador,
As cercas que eu ando amurando
São as causas do meu desamor.

Um dia desses dou de rédeas
E de sonhos me emborracho,
Vou ser por mim, só por mim, ventania,
Talvez por sorte algum riacho...
Vou juntar na mangueira cada sonho guaxo
Que ainda não marquei,
Vou luzir na aurora um clarão de espora
Que eu nunca apaguei
Vou voltar pro rancho, pendurar o poncho
E refazer a lida,
Vou cortar os ramos, vou quinchar os anos
Que eu tenho de vida.






sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Ever Olan"

Estou caminhando a passos largos para, se Deus permitir, celebrar 40 anos de vida. Digo celebrar, pois nunca fui de comemorar aniversário, pelo menos, não o meu. Mais do que em outros tempos, ando questionando temas sobre mim mesmo. Minhas dúvidas sobre tudo, a teimosia que é minha sombra, um tanto de rabujo, que deve ser inerente aos anos vividos, e um sentimento quase incontrolável de que preciso mover-me, não no sentido de caminhar (odeio exercícios), mas de sair, viajar, ir e vir. E assim, numa espécie de gênesis, que etimologicamente quer dizer "no princípio" ou "para começar", vim desfazendo a fieira que me trouxe até aqui. Ao que parece, é genético. Minha querida vozinha, D. Olga, do topo de seus quase 96 aninhos, conta que, arrastada pelo seu Victor, meu saudoso avô, deve ter mudado de cidade mais de trinta vezes

Bem, meu pai diz lembrar-se de pelo menos umas vinte. Indo um pouco mais além, encontro o nome de Yuseff Kazimierz Raschkowsky, pai do seu Victor. Logo, Yuseff vira seu José, e Raschkowsky é adapatado primeiro para Roszkovicz e depois Roszkowski. Judeu puro, chegado ao Brasil na primeira década do século XX, a bordo do navio "Paranaguá", vindo da antiga Bessarábia, hoje um lugar entre a Bulgária, Romênia e Moldávia, aqui casa-se com uma cristã de origem polonesa, chamada Janina

Não sabe-se ao certo onde o Sr. Yuseff nasceu. É certo, que antes de chegar à Bessarábia, esta figura errante viveu na cidade de Alepo, ao norte da Síria, onde escrevia cartas comercias e letras de câmbio, e de lá, andejou comerciando de tudo entre a Grécia, sul da Itália, norte da África e outros centros comerciais nos entornos portuários do Mediterrâneo. Aqui chegando, foi estabelecer-se na recém criada Colônia Philippson, no distrito de Itaara, nos arredores da cidade gaúcha de Santa Maria

Claro, que muito rapidamente ele saiu de lá, e foi mascatear por Erechim, Joaçaba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba, onde nasceu o seu Victor. Este, logo vê-se obrigado a seguir a "carreira" do pai, pois como filho mais velho, assume cedo as obrigações de homem da casa (o Sr. Yuseff morre quando meu avô tinha 14 anos), e muito jovem começou a ganhar vida, na região do Irani, que à época era importante entroncamento comercial de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Margeando o Rio do Peixe e o Rio Uruguai, muito ele andejou de Joaçaba até Videira, subindo até Caçador, e de lá indo até Erechim e Porto Alegre, seguindo, intuitivamente os passos do pai. 

Foi em Erechim que conheceu a D. Olga, imigrante italiana, de família oriunda da Sicília, e como sabemos, foram mais de trinta mudanças, entre os anos trinta, até sossegar o ímpeto cruzador, quando em 1970, parando no meio de uma mudança rumo a Minas Gerais, chega em Guarapuava, e ainda aqui, vai e vem sem parar, comprando e vendendo em todas as regiões do Paraná. 

Depois de meados dos anos 80, sentindo o peso da idade, torna-se vendedor de doces na cidade, mas claro, sem ter estabelecimento fixo, e sim dirigindo uma velha Kombi da Malusa. 

Eu estaria junto dele, em 1997, quando após uma noite de agonia, talvez impulsionado pelo seu código genético, decidiu que, pela última vez, perto dos 90 anos, voltaria a viajar. Foi num Shabat que ele partiu

Viajou. Sinto a falta dele

Mas sinto também, que tanto ele quanto seu Yuseff, fizeram com que eu carregasse em mim este mesmo código genético: Viajar, permutar, comunicar, transmitir... "Ever Olan", em hebraico significa  "Nômade do mundo", "Homem de passagem" ou "Permutador de tudo". 

Ainda não completei 40 anos, mas já contabilizei residência em oito cidades diferentes

Raschkowsky, Roszkovicz ou Roszkowski

Pouco importa. Sou neto do seu Vito, que era filho do seu José. É assim que me sinto, é assim que eu sou.
Típico vendedor mascate do início do séc. XX

sábado, 29 de outubro de 2011

E o que vamos fazer?

Observando os acontecimentos recentes por todo o mundo, onde pessoas saem às ruas, tomam praças, expressam inconformação ante aos fatos que vão desde a situação de crise econômica criada por especuladores financeiros até o repúdio aos governantes corruptos, me pergunto o que nos falta para recuperar-mos nossa capacidade de indignação. Em Brasília, nos últimos anos foram flagrados agentes políticos recebendo propina, sempre com desdém e de modo muito criativo, seja pegando dinheiro e embolsando, ou escondendo a verba na cueca e meias. Meia centena de políticos constam como réus no processo do mensalão. Somente este ano, seis Mininstros de Estado caíram, sendo que cinco em razão de graves denúncias sobre corrupção. Discorri rapidamente sobre fatos internacionais e nacionais, mas sempre acreditei que a cidadania, o civismo e o patriotismo começam no quintal da minha casa, na rua onde eu moro, no meu bairro, na cidade onde eu vivo. Isto deve, necessariamente, ser muito mais importante, por tratar-se do meu mundo. Diante dos acontecimentos da última semana, onde o Ministério Público deflagrou uma ampla operação de varredura na Câmara Municipal de Guarapuava, que culminou com o recaimento sobre seis vereadores de suspeitas de terem cometidos seríssimas irregularidades de crimes contra o erário, inclusive o crime de peculato, o que levou a prisão de dois deles, entre os quais o do Presidente da Câmara, resta-nos, no mínimo, bradar um grito de independência. Temos que dizer que não suportamos mais conviver com tamanha pusilaminidade. Precisamos contrariar o dito que o povo tem memória curta. Em que pese a tese jurídica de que ninguém pode ser dado como culpado antes de um julgamento justo, e da prevalência do princípio da presunção da inocência, há que ser feito algo. Com a palavra, o povo de bem da nossa querida e tão mal tratada Guarapuava.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Laicidade minoritária ante a maioria teocrática

Antes de abordar o mérito deste meu texto, quero afirmar de forma clara e respeitosa, que muito embora intimamente profece minha fé monoteísta, eu não sou um doutrinador missionário, não prego nenhuma vertente religiosa, tampouco faço apologia ao ateísmo ou quaisquer outros "ísmos". Apenas gostaria de fefletir sobre fatos.
O Brasil, segundo o artigo 19, inciso I da Constituição Federal de 1988, é um Estado Laico. Laico, segundo verbetes dos dicionários de língua portuguesa, é o mesmo que "leigo" ou "que prescinde da instrução ou orientação religiosa", e o termo Laicismo, significa "Estado ou caráter de laico". Para os tratados de Direito Internacional, o entendimento majoritário sobre Estado Laico, define uma nação cujo suas instituições não oficializam nenhuma vertente de fé, e admite qualquer tipo de manifestação religiosa, até mesmo a hipótese de que não haja religão, diferentemente do Estado Teocrático, onde existe uma simbiosidade oficial entre Estado e Religião. Sendo assim,  um Estado Laico, não pode oferecer obste para que seus cidadãos profecem sua fé, mesmo que nele não exista fé alguma, e portanto, respeitar-se-ia, inclusive, o ateísmo. Repare, que falamos dos cidadãos deste Estado, e não do próprio Estado, pois este, é simplesmente Laico, o que quer dizer na prática, é que suas instituições não podem, ou não devem, tornar oficiais quaisquer indicativos que apontem ou neguem determinada religião ou credo. Mas o que se nota, de fato, é que a grande maioria das instituições estabelecem claras preferências por determindas crenças, notadamente o cristianismo, e mais incisivamente, o catolicismo. Assim, fácil é perceber em edifícios públicos e suas repartições, variados símbolos cristãos-católicos, como imagens de santos e crucifixos. Sem falar dos feriados religiosos, que ao parar o funcionamento da máquina pública, por sí só os tornam oficiais. O fato de o Brasil possuir em sua população uma maioria cristã-católica, não torna o país oficialmente como tal, pelo menos, segundo sua Constituição. A Constituição propugna, em tese, garantir o direito de igualdade ante o Estado, sem que ninguém sinta-se ofendido por ele. Mas e o que dizer sobre os sentimentos da minoria, aqui menosprezada? Do Mulçumano que jura sobre a Bíblia e não sobre o Alcorão, ou do Judeu que vê-se à luz da Cruz, e nunca da Menorá? Diante de tantos símbolos religiosos estampados nos locais públicos e das datas sagradas ou festivas da Igreja Católica, oficializadas perante o Estado, pergunta-se: Por que não instituir o feriado do Ramadã, indispensável aos Islâmicos, ou ainda fazer parar todos os órgãos públicos no Yom Kippur, data máxima para os Judeus? Isto para ficar apenas no âmbito das grandes religiões monoteístas, sem intimar símbolos nem datas sacras das outras crenças e religiões presentes em nosso país, que diz-se de grande plurarismo teórico, mas  bastante singular na prática, ao menos sobre o assunto que aqui apresentei.