terça-feira, 26 de março de 2013

Aceita um mate? Socializado ou capitalizado?


Cuba ainda vive sob o embargo americano, a China diz ser uma nação socialista, assim como a Coréia do Norte. Porém, desde a penúltima década do século XX, há quem diga que o socialismo ruiu junto com dois de seus mais emblemáticos símbolos, o Muro de Berlim e a antiga União Soviética, confirmando o triunfo do capitalismo.

Chimarrão socializado
Será mesmo? E o que isso tem de ver com um bom chimarrão?

Primeiro temos que conceituar:

Capitalismo: Sistema econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção e distribuição, na busca do lucro da livre concorrência e do trabalho assalariado. Tal sistema depende de existirem no mercado, capital e trabalho livre, onde as mercadorias são o capital, os meios de produção e a matéria-prima. A mercadoria dos trabalhadores é sua força de trabalho, a qual é vendida em troca de salário. O lucro advém da diferença entre o valor dos bens produzidos e o custo da produção.

Socialismo: Sistema político que defende a primazia dos interesses coletivos da sociedade sobre os do indivíduo, e propõe, na produção e distribuição de bens, a ação coordenada da sociedade em lugar da iniciativa privada, a fim de compartilhar a produção.

Aqui é que entra o chimarrão.

Certa vez, durante uma mateada numa manhã de inverno, em meio à discussão sobre capitalismo/socialismo, ante a dificuldade de se oferecer uma resposta definitiva, meu amigo e compadre Pablo Bortolanza nos deu a solução, e serviu-se da ocasião para propor o que eu considero o melhor exemplo para dissipar dúvidas sobre o que é socialismo e o que é capitalismo. 

Disse ele:

"Vejam, se eu venho aqui de posse da minha mateira, pego minha cuia e minha erva, ajeito um mate bem cevadinho, ajujado à preceito, derramo a água quente da minha térmica e distribuo o mate pela roda de amigos, eu socializo o chimarrão. Agora, se eu faço todo este processo, dispondo do capital, que é o mate pronto, os meios de produção, que é o ato de cevar o mate, e da matéria-prima, que são a cuia, a bomba, a erva, a água e a térmica, e ao invés de compartilhar o mate (afinal, por quê dar de graça?) eu ofereço para vocês cada cuiada ao custo de R$ 2,50 (dois pila e cinquenta), então eu capitalizei o chimarrão"!

Se ainda assim, você não conseguiu diferenciar socialismo de capitalismo, com todo o devido respeito, você realmente é muito burro...
Chimarrão na "linha de produção"

terça-feira, 19 de março de 2013

Cidades inteligentes

Parque da Cidade, chamado Parque do Lago. Guarapuava-PR

Cada vez mais a ideia de converter os aglomerados urbanos em ambientes inteligentes vai sendo aceita nas discussões acerca das cidades.

O arquiteto e urbanista Jaime Lerner, independentemente das opiniões políticas, é reconhecido como um dos grandes pensadores e realizadores de programas que transformaram Curitiba, a partir do início dos anos 70, em uma cidade que foi referência na redução das complexidades e projeções trágicas que hoje afligem a maioria das metrópoles do mundo.

Pregando termos bem esquisitos para a época, como sustentabilidade, mobilidade, transporte coletivo de superfície, reciclagem entre outros, Lerner explorou diversas áreas ligadas à gestão pública para ser o pioneiro em reinventar a cidade. Disto, entre tantos pontos que se enraizaram na capital paranaense e depois foram implantados em diferentes cidades do mundo, ficaram heranças como a criação de vias de tráfego exclusivas para ônibus, sistema integrado de transporte coletivo, conscientização da necessidade de maior aproveitamento das fontes renováveis de energia, separar o lixo orgânico do não orgânico, uso racional do automóvel, revitalização de espaços públicos para maior interatividade da população, e por aí vai.

Crítico dos modelos urbanos que separam moradia-lazer-trabalho-consumo, ele defende o compartilhamento dos locais de convivência. Em outras palavras, ele é contra reservar grandes espaços para condomínios fechados que isolam os moradores dos demais, ou de instalar áreas destinadas apenas à alguma atividade específica, ou seja, ao se instalar nos arredores da cidade grandes empresas que vão gerar muitos empregos, primeiro deve-se levar infraestrutura urbana de modo que as pessoas possam morar próximas aos locais de trabalho, sem criar guetos ou agrupar gente aqui e ali, a partir de religião, classe laboriosa ou nível econômico, que possa ser vantajoso para alguns e gesto de segregação para outros.

Para ele, quanto mais diversidade melhor, tudo "junto e misturado".

Lerner, que se afastou da vida pública no ano de 2002, ainda viaja pelo mundo participando de discussões sobre temas relacionados ao termo Cidade Inteligente, que no fundo, discutem os mesmos programas, projetos e ações que ele próprio começou a executar pelo menos quatro décadas atrás.

Abaixo o link com interessante entrevista recente que Lerner concedeu à Fernando Gabeira no programa "Capital Natural", da Band News.





quinta-feira, 7 de março de 2013

Ganância e Ambição

Ganhar é bom!

A ganância é boa, já disse Gordon Gekko, personagem vivido por Michael Douglas no filme Wall Street, do diretor americano Oliver Stone.
 
Há quem prefira o limite da ambição, justificando que ambição é querer apenas ganhar, e ganância é querer ganhar sempre e ganhar tudo. Seja lá como for, tenho observado constantemente a presença de ambição e ganância, inclusive as minhas, por onde quer que se olhe.
Gordon Gekko, símbolo da ganância desmedida

Alguém já me disse que sou um bom observador.

Interessante como se aprende tanto observando o comportamento de indivíduos enquanto indivíduos, e quando pertencentes à determinadas tribos sociais. Ainda mais se devidamente identificados seus desejos de ganância e ambição. Quando indivíduo, no más das vezes, ele sorri, oferece as mãos estendidas e o abraço fraterno. É a ambição por algum ganho futuro que nele se manifesta.

Mas, quando é parte ou é liderança coletiva, ilustra postura completamente diferente. Interessante também constatar o indivíduo ou grupo em situações opostas: Quando vão bem, vencem e são apontados como ganhadores, nunca reclamam, esbravejam ou se lamuriam, e é claro, facilmente reconhecem-se como grandes vitoriosos, melhores que tudo e que todos. E aqui neste ponto, também são gananciosos

Já, se perdem, rapidamente esquecem de quando ganhavam, se irritam, ficam enfurecidos, inconformados e revoltosos, e rapidamente apressam-se em apontar os vilões culpados pela sua derrota, sem sequer cogitar enxergar mérito algum naqueles que tenham vencido, nem tampouco avaliam que os ganhadores de hoje foram ávidos perdedores ao longo do tempo, ao contrário deles, que embora hoje perdedores, conviveram tempos contabilizando repetidos ganhos em suas pretensões. Ganância novamente.

Resulta portanto desta singela análise, extrato afirmativo de que a ganância prevaleceu, salientando-se duas vezes sobre a pobre da ambição.
Cartaz do filme Wall Street

Creio que é da natureza humana tal ilustração social, e talvez por isso, a Sociologia existe. Você também certamente já pode perceber comportamentos semelhantes aos que aqui coloquei. Então, partindo desta minha brevíssima explanação, humildemente solicito a opinião e a ajuda de tantos quantos queiram se manifestar. Ah! Reparem que eu não especifiquei indivíduo algum, bem como não faço menção à este ou àquele grupo. Minhas observações são acerca de atitudes que aduzem a reações, que podem dizer respeito à ganhos e perdas de investidores do mercado financeiro, de grandes empresários e seus executivos, de equipes de gincanas e seus líderes, de times de futebol e seus técnicos, de sócios de grandes escritórios de advocacia e sua banca, de candidato eleitoral e seus correligionários, do general e seus oficias e assim por diante. 

E você, quando líder ou parte da coletividade, ou mesmo individualmente, considera-se alguém ambicioso ou
pratica a mais pura e voraz ganância em seus objetivos?
Eu já tenho minhas respostas, mas por hora, vou guardá-las apenas para mim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Você é on ou off?


Gosto de escrever sobre atualidades, sobre nosso tempo contemporâneo e também sobre o passado recente, sem no entanto, fugir das modernidades tecnológicas que nos bombardeiam, quase que nos obrigando ao adaptamento rápido, nos exatos moldes fundamentados na Teoria Evolucionista de Darwin, que define: "Adaptar-se para evoluir, ou simplesmente desaparecer."

Queria escrever sobre o tema, mas, oportunamente, já que trata de conectividade entre outras coisas, encontrei um vídeo na internet, que fala bem mais e de modo até didático o que eu desejava expressar.

Ah! Sem sombra de dúvida, ao final do vídeo eu me classifico como alguém que realmente está "OFF".

E você???

Confira:

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cumpra as promessas para 2013!


                                                      Emagrecer, iniciar um novo negócio, começar a malhar, fazer poupança.

Toda virada de ano, títulos como os acima citados são repetidamente afirmados por muita gente. Ou melhor dizendo, são reafirmados. Para alguns, já se tornaram mantras.
Eu aposto que muita gente, inclusive você, fez promessas no fim de 2012 que não irá cumprir em 2013. Mas, para alento das massas, a ciência tem boas notícias, e garante que resolução de fim de ano tem solução. Estudos atuais garantem que se você fazer das promessas rotina, seu cérebro vai querer manter os novos hábitos e forçar você a se adequar, da mesma forma que havia feito com os velhos hábitos.

Tudo bem que você, eu e todo mundo já sabíamos disso...

Seja como for, a fórmula da façanha está no badalado livro "O Poder do Hábito: Por que Fazemos o que Fazemos na Vida e nos Negócios", publicado pelo jornalista americano Charles Duhigg, que conta em detalhes as novas descobertas científicas sobre o assunto. Lá ele explica que ir para uma sessão de exercícios na academia não significa apenas força de vontade, mas também de programação cerebral. 

É como nos programas de computadores, que ficam literalmente gravados, e sempre voltarão a aparecer, até que você grave outros programas novos por cima.

Assim, se você quer cumprir as promessas de ano novo, comece por transformá-las em hábito que seu cérebro se encarrega do resto.

E aí é que está a boa notícia: se você persistir, pode transformar absolutamente qualquer coisa em hábito. Na prática, sempre que você trocar uma barra de chocolate por uma maçã, ou o sofá pela academia, de forma contínua e regular, simplesmente a opção antiga será desconsiderada. Seu cérebro, dizem os estudiosos, prefere mais repetir do que pensar.

Então meus caros, mãos à obra. A palavra de ordem é disciplina, pois não basta apenas mudar a rotina, é preciso manter as mudanças até que seus neurônios se habituem com elas.

Faça isto, ou o único hábito que você vai manter é o de fazer promessas e resoluções de final de ano sem que jamais venha cumpri-las.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fim do Mundo



Era pra ter sido hoje, 21/12/2012, que segundo interpretações acerca de um calendário Maia, conheceríamos o hecatombe da humanidade, nos moldes apocalípticos, profetizados inclusive, segundo alguns, em textos bíblicos, sinais e códigos de seitas obscurantistas, além é claro, de algumas composições melódicas do saudoso Raul Seixas e outros "Malucos Beleza".

E se pararmos para pensar um pouco sobre o tema, de fato ocorreu.

Não estou falando necessariamente das previsões que acima citei, onde meteoros se chocariam contra a Terra, ou explosões solares, nem outros fenômenos que se desenvolveriam em cadeia, causando tsunamis, terremotos e catástrofes de toda ordem. Nada de calendário Maia aqui, nem de nenhum outro povo da antiguidade.

Até consigo ver alguma graça em assuntos misteriosos, místicos e até hoje inexplicáveis. Fenômenos da metafísica são mesmo intrigantes.

Excluo no entanto, dentre tais fenômenos, por mero ceticismo, todo e qualquer milagre, como por exemplo, o Corinthians ter ganho a Libertadores.

Mas, voltando ao tema, sim meus preclaros, a afirmação de que hoje o mundo acaba pode não ser tão absurda quanto parece.

Se refletirmos nas bilhões de pessoas que passam fome no mundo, nas incontáveis famílias inteiras que se desintegram, seja pela miséria literal, por tragédias insanas que vão desde a ignorância até a derrota para o vício das drogas, tudo pode ser o fim.

Perder um ente querido, ou mesmo perder o emprego pode ser o fim do mundo.

Há quem considere levar um fora da pessoa amada o derradeiro apocalipse.

Eu mesmo, talvez já tenha visto meu mundo acabar umas três ou quatro vezes. Por sorte, sempre houve um novo gênesis para mim.

O fato é que de toda esta história, queria mesmo dizer que todo dia, em algum lugar, o mundo, de alguma maneira, sempre acaba para alguém.

Mas como diria um velho amigo meu, "no fim, tudo acaba bem, e se não acabar bem, então é porque ainda não é o fim."

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Economia sem economês

A linguagem no mundo financeiro, por vezes leva ao economês chato, complicado e cansativo. No entanto, num sistema capitalista como o nosso, torna-se imperativo ter uma noção mínima dos conceitos acerca de lucro e acúmulo de capital.

Didaticamente, daria para iniciar assim: O principal objetivo do investimento de capital nas relações capitalistas de produção, é a obtenção de lucro. Quando, em uma atividade econômica qualquer, o lucro é acrescentado ao que foi aplicado, aumentando o volume do capital inicial, teremos o capital acumulado.

Que legal!

Daí, o lucro obtido numa atividade pode ser aplicado no mesmo tipo de atividade, possibilitando o aumento da produção de determinado tipo de mercadoria, mas para que se realizem novos lucros, é necessário que o produto seja vendido, e isso só é possível se houver um mercado consumidor viável, ou seja, quem queira comprar. É a definição, em síntese, da lei de oferta e demanda, que determina a necessidade de haver demanda igual ou maior que a oferta, para que se possibilite o lucro capaz de gerar novos lucros, com o aumento progressivo da produção, em resposta da maior capacidade de demanda do mercado consumidor. Fácil, desde que não cesse a demanda pela procura do produto.

Quando a demanda pelo produto não aumenta, para que se possa obter lucro, parte do capital acumulado pode ser aplicado na produção de outro produto, ou como alternativa, pode-se buscar novos mercados para os mesmos produtos.

De qualquer modo, ao fim de certo tempo, para que você preserve o lucro e possa continuar acumulando capital, você sempre terá que investir mais capital, seja para ampliar sua produção para alcançar novos consumidores, seja para iniciar uma nova produção.

Porém, sempre, em quaisquer dos casos, a ação implicará na necessidade de quantidades maiores de matéria prima, mão de obra, avanço dos processos de produção, aperfeiçoamento das técnicas de venda, etc. Veja portanto, que tudo implica em maior aplicação de capital, oriundo dos lucros da atividade econômica que você deu início e agora expandiu, ou por outras fontes que financiem o capital.

Ou seja, no fim das contas, absolutamente tudo dependerá exclusivamente do seu potencial, não apenas de ter acesso ao capital, mas do seu poder em detê-lo, bem como e principalmente, da sua capacidade em acumulá-lo. 

De tudo, fica a dica: Acumule o capital